Poesia – Uma Senhora Puta

Lembro das fúnebres orgias de tempos de outrora
Nas ruas com nomes de putas, Augusta ou Aurora
Transando com cadáveres mornos de putas tortas
E sem perceber se eram putas ou se eram mortas.

Mas lembro também da puta da rua sem calçada
Das matas do parque e daquela puta desgraçada
Uma daquelas mortas sem piedade dos que oram
Engolindo a seco todos aqueles que as devoram.

E ao lembrar sinto dor profunda nas entranhas
Pontadas na cabeça do caralho muito estranhas
E noutra puta penso com ímpetos de assassino
Pois estar com putas será sempre meu destino.

E eu que fodia com putas mornas dentro do bordel
Trepo apenas contigo, minha puta de nome Izabel
E gozo porque tenho a foder comigo sempre e agora
Uma puta viva e quente a quem chamo de senhora.

22/11/2013

Do Livro:
Troco Poesia Por Dinamite
Editor’A Barata Artesanal, 2014

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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