Poesia – Versos Orgânicos – 25 – Foder Antes de Morrer

Sou ateu e não acredito nas deusas e santas tardias
E coloco em seu lugar as vagabundas e putas vadias
Fodas agora comigo, pagã deusa dos cabelos curtos
Por que foder é para deuses, dos poetas e dos putos.

Fodamos então agora, não espere parar-me o coração
Mortos não fodem, santas querem dor e deuses oração
Porque não foder comigo, porque não foder com vontade
Quando sentes a buceta latejar e o cu arder de bondade?

A nenhum outro olhar será dado ao prazer da leitura
Nenhum outro pois estes versos a pertencem, criatura
E carregues então, orgulhosa quando chegar sua morte
As rimas de um poeta que lhe comeu ou não por sorte.

E quando, sua buceta e seu cu jazerem na terra santa
Lembrarás que por muitas noites fostes minha janta
E desejarás foder, pois amores de picas são os que ficam
Mas carnes mortas não fodem, e as almas não fornicam.

Do Livro:
“Versos Orgânicos”, 2012
Editor’A Barata Artesanal

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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