Poesia – Versos Orgânicos – 9 – Tá Doendo?

Não reclames que lhe arde a vulva por eu tanto lhe foder
Pois assim pedistes, que eu lhe fodesse até não mais poder
Esfolado meu pinto ainda precisa atender aos teus apelos
Então lhe esfolo a buceta alisada até cair os meus cabelos.

Acaso esquecestes a dor sentida ao perderes o cabaço
Porventura deixastes a dor do parto perdida no espaço?
Então não reclames de dores que terminam em delícias
E faça do seu prazer o caminho certo de minhas sevícias.

Cortei as unhas ontem a noite, não posso lhe sangrar
Então arranhes as minhas costas até a pele se rasgar
E deixes escorrer o sangue quente pelas minhas costas
Porque sei que é da minha dor aquilo que mais gostas.

Acaso não cortastes com a navalha a nuca de um freguês?
Lésbicas não podem ser cabeleireiras, afirmo em português
Então porque o medo de doer lhe causa a aflição tamanha
Quando não és lésbica, mas uma vagabundíssima piranha?

Do Livro:
“Versos Orgânicos”, 2012
Editor’A Barata Artesanal

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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