Rita Lee Com Chegaevara e Vandelouca

Policia Militar, Rita Lee e a Imprensa

O que diferencia um Policial Militar de um artista? Não, não vou fazer aqui um discurso inflamado contra a PM. Inflamado, desgastado, rancoroso e mal-cheiroso como muitos que tenho lido nos últimos tempos. Em todas as situações onde existe a presença policial o relato é sempre favorável ao outro lado. Claro que existe em muitos casos exageros por parte de policiais, mas nem sempre é dessa parte que existe o abuso, ou não apenas dela.

Em principio, respondendo minha própria pergunta: Nenhuma! Ambos são seres humanos e trabalhadores. E ambos merecem respeito! O trabalho de um é o dar entretenimento, a cultura ao publico. E o do outro, manter a ordem, protegendo esse mesmo público. Ambos tem por “patrão” o mesmo. Um é mantido diretamente através da venda de discos, livros, ingressos de shows, etc. O outro, indiretamente, através dos impostos.

Então, coloco outra pergunta: no que um é melhor que o outro? Ah, um usa farda, coturno, quepe… O outro roupas e adereços coloridos. Um tem que usar cabelos curtos o outro pode usar cabelos longos. O instrumento de um é uma arma de fogo, do outro instrumento musical. (Esta parte ficou bonitinha, né?!) Cada um com seu instrumento, cada um com seu papel, seu dever, sua obrigação perante aos mesmos senhores.

Mas então começam as diferenças. Aliás, somos todos diferentes, sim. Essa coisa de que todos são iguais perante a lei é balela político-jurídica, uma mentira que só existe na Constituição. Seres humanos são biologicamente diferentes, mas alguns são mais diferentes que os outros, numa troca de palavras, mas não de sentido à frase de A Revolução dos Bichos, de Orwell.  Mas então, se temos a lei a ser cumprida, e baseando-se no fato que todos são idênticos perante ela, temos que incluir a todos, e isso não exclui nenhuma das partes, neste caso nem Artistas nem Policiais.

Esse discurso contra a Policia Militar talvez remonte até historicamente de antes, mas o uso que o Golpe Militar de 1964 fez da corporação, usando-a para coibir passeatas de protesto e outros atos “perigosos ao Regime” decerto tem muitos reflexos ainda numa mídia que finge ser de uma esquerda que não existe há muito no mundo. A Ditadura Militar acabou, a anistia protegeu e escondeu torturadores sem farda, mas as PMs ficaram estigmatizadas perante uma população abandonada pelo estado, tão refém da bandidagem, que em muitos casos preferiu estar do lado que quem estava mais próximo à ela, no caso os “bandidos”. E porque somos uma população formada basicamente por pessoas que acham que  “o bom é ser mau”. Um povo violento e mau caráter na essência só pode ser estar no lado oposto ao policial.

O problema dessa mídia estúpida e comprometida, é que nunca é parcial numa cobertura que tenha a participação da Policia Militar. Mesmo que haja excessos e extrapolações de direitos, exageros, o que é sempre destacado são os de parte da Polícia, nunca do outro lado. Isso acirra os ânimos em todos e eles fingem estar do lado pobre da força. Qualquer estudante de jornalismo aprende que ele não deve ser parcial e sua cobertura deve ser isenta de paixões, mas na prática isso nunca ocorre. Porque a grande mídia é hipócrita ou comprometida? Os dois!

Não vou ficar citando casos e casos onde tais fatos ocorreram, mas vou citar, como ilustração deste texto, um fato que não gerou mortes nem maiores conseqüências, mas que envolvem Artistas X Policia, com uma pitada de hipocrisia e jogo de interesses no meio.

No domingo, dia 29 de Janeiro de 2012, a cantora Rita Lee se apresentou na cidade de Aracaju, no que foi marcado como ultimo show de sua carreira. As informações são meio desencontradas, mas ao consegui entender foi que, incomodada com a presença de Policiais Militares em seu show, a cantora, de 67 anos. Ao avistar policiais na platéia, declarou que não os queria em sua apresentação. “Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho.” E que ao se aproximar do palco, os policiais foram xingados pela cantora de “cavalo”, “cachorro” e “filho da puta”. Ao final da apresentação a cantora foi levada à delegacia onde ficou detida para a elaboração de um boletim de ocorrências, e liberada após a interferência da Vereadora Heloisa Helena.

Em nenhuma das fontes que consultei cita qualquer tipo de abuso ou arbitrariedade por parte dos PMs, mas então porque a mídia tomou partido de Rita Lee? Porque chamaram isso de “atitude rockeira” e coisas do tipo. Então pergunto: fosse um grupo de garotos da periferia de São Paulo, local que ela tanto odeia, formando um grupo de RAP que tivesse atitude idêntica, a repercussão, a indignação e as lástimas seriam as mesmas? Talvez mesmo a PM não tivesse sido tão gentil e provavelmente não teriam esperado acabar o show e teriam descido a borracha nos artistas. E será que os portais de Internet e emissoras de TV teriam noticiado e feito tanto alarde?  Porque Rita Lee deveria então ser tratada de forma diferente? Que atitudes os policiais deveriam ter tomado? Subido no palco, beijá-la e fumar maconha com ela? Dar um buquê de flores com a faixa “Nós, burros e cavalos amamos a Rainha do Rock”?? É isso? Esta senhora acha que é imune a Lei, tanto quanto a outra senhora, Dona Marta que achou que não tinha que passar pelas mesmas normas dos mortais num vôo internacional? É isso?

Aliás, falando de “senhoras”, uma das coisas mais ridículas nessa história foi o comentário postado no Facebook por Roberto de Carvalho, marido de Rita Lee: “Estou lendo atentamente o Estatuto do Idoso. Me parece que conheço alguém cujos direitos ali assegurados foram desrespeitados. E muito.” Ah, Roberto de Carvalho, me poupe, mas é apenas neste ponto, quando julga que seus direitos foram desrespeitados é que a Lei lhe interessa? A Lei só serve quando lhe favorece, senão seus representantes são “cavalos e filhos da puta”? É bem típico da elite artística do Brasil que se acha revolucionária, mas não passa de um bando de interesseiros agindo apenas de acordo com os próprios interesses.

Um dos sites que consultei dizia que ela podia tudo, porque era “Patrimônio Cultural do Brasil”… Porra, estamos muito mau mesmo, de patrimônios e de cultura.

 

Luiz Carlos Barata Cichetto, escrevendo diretamente daquilo que Rita Lee chamou no Twitter de “o cú d onde sai a bosta do cavalo do bandido”, região de Itaquera, Zona Leste de São Paulo, onde o poder público em lugar de escolas, plantou com nosso dinheiro um estádio para favorecer o time de Futebol dela. A revelia dela sim, que preferia que fosse em Cidade Jardim, onde ela também balança as jóias.

 

Nota: A foto que ilustra este post foi postada no Facebook na tarde de segunda por Roberto de Carvalho.

 

Em Tempo: Comentário postado no site O Esquema, de Aracaju:

31 de janeiro de 2012 às 9h46

“Estive no show. Sou fã da Rita, acompanho ela desde sempre, mas a atitude dela foi desnecessária. O show era público, a polícia tava fazendo o de sempre: tirando os baseados dos moleques. Não vi agressão, só uns meninos perdendo os baseados deles. Quem tava lá percebeu que a atitude dela não condizia com o que estava acontecendo. Não sei o que houve, talvez um surto, reminescente da ditadura, sei lá. Como pai, entendi o que Déda quis dizer: imagina se um policial desses reage (depois de tanto ouvir ser xingado de filhodaputa e cachorro) e puxa uma arma? Rita foi irresponsável: pensou no Grand Finale, mas não se preocupou com os fãs (os não-fumantes da erva também)…”

 

http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2012/01/30/marcelo-deda-rita-lee-e-a-pm.htm

15/02/2012

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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