Pósfacio a “Led Zeppelin”, de Amyr Cantusio Junior

Quando eu, no início dos anos 1970, um pré adolescente recém chegado ao mundo do Rock, ouvi falar em Led Zeppelin imaginei algo parecido a Beatles, Stones… Mas um dia folheando uma revista de musica, me deparei com uma foto da banda e aquilo foi o suficiente para que eu procurasse escutar aquela banda.

Led Zeppelin II era o disco, “Whole Lotta Love” a musica. O impacto, o soco na cara. O som e a fúria daquele disco rolou na minha vitrola semanas a fio, até encher a sala de estalidos de um vinil lixado. Aquilo era diferente de tudo aquilo que tinha escutado até então. Uma musicalidade impar na guitarra de Page, uma voz aguda e ao mesmo tempo áspera de Plant, no baixo, de John Paul Jones e na bateria… Ah, a bateria, de John Bonhan… Tambores do Céu e do Inferno.

E logo Led Zeppelin passou a representar, dentre tantos deuses do panteista universo do Rock, um deus especial, gigante, forte, místico e poderoso. Led passou a ser a referencia a tudo. E por intermédio da busca das interpretações de sua música, encontrei a história do Rock, flertei com o esoterismo, saltando as montanhas nebulosas e subindo escadas para o Céu.

Os temas eram escutados e re-escutados por semanas a fio. Cada disco era tocado até riscar. Muitos deles comprei duas ou três vezes porque acabavam lixando de tanto escutar. O quarto disco da banda, que tem na parte interna a imagem do eremita foi comprado três vezes, porque uma das cópias se transformou em poster. E assim foi com todos os discos do Led até o lançamento de “The Songs Remains The Same” que traria uma versão, a mais genial e definitiva interpretação de uma música, “Dazed and Confused”. 23 minutos de duração no vinil e um clima que me levava das alturas ás profundezas de mim mesmo com a mesma rapidez das mais poderosas drogas. Com o passar dos anos, acabei transformando “Dazed and Confused” na trilha sonora da minha vida e do meu funeral, conforme passei a comentar com amigos.

Até no fim da banda, o Led Zeppelin se comportou da forma correta: um disco fraco denotando o cansaço da banda. A morte de Bonhan logo após.. E o necessário fim. Depois disso, apesar de algumas reuniões “furtivas”, a banda se negou a retornar apenas por jogada comercial. E bem que poderiam, pois embora sem chegar às pontas das baquetas de seu genial pai, Jason Bonhan é um bom baterista e poderia ter assumido o papel que fora de John Henry.

E no tempo em que os Deuses do Rock andaram sobre a Terra, deixaram não apenas o Rock, não apenas a Música, deixaram entre nós seu mais dileto filho, o Led Zeppelin.

1/1/2012

Led Zeppelin
Amyr Cantúsio Jr;
2012 – Editor’A Barata Artesanal

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

5 1 Vote
Article Rating
Assinar
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários