Resenha – Esdras M. Júnior – O Significado das Palavras e… Troco Poesia Por Dinamite

Esdras M. Júnior . 

Qual o significado que pode ter uma palavra, uma frase ou uma expressão? Qualquer dicionário, enciclopédia, ou, mais recentemente, site da WEB ou tradutor on line, responde rapidamente a esta pergunta inicial. Mas, isto não resolve os nossos problemas… Por que uma mesma palavra ou até uma mesma expressão podem ter significados ou efeitos diferentes conforme a situação ou contexto? Porque as palavras e expressões carregam em si muito mais que apenas o seu significado, o que, por sua vez, já não é pouco? Alem do significado, este significado é coerente? É confiável? É verdadeiro? Verdadeiro…? Mas o que é a verdade?

Frases podem trazer em si a verdade? E uma frase que fale sobre o Papai Noel, sobre o demônio, sobre gnomos, sobre E.T.s? Sobre Deus? Sobre homem e mulher? Sobre homem e homem? Sobre mulher e mulher? Sobre homens, cachorros, putas, asnos e guarda-chuvas? Sobre sexo? A verdade toda pode estar numa frase? O quanto (ou o que) do autor há na frase que expressa? No som que emite, na palavra que escreve, na expressão do seu gesto? O quanto há de medo, de angustia ou de insatisfação dissimulados numa expressão de revolta ou de contestação? Já Cratilo (Séc. V a.C.), filosofo grego, na obra de mesmo nome, apresentada ao mundo por Platão, fala da relação entre “nomes” e “coisas” e sobre “falsidade” e “verdade”.

Muitos outros filósofos, como Schopenhauer, Umberto Eco, Hegel, Kant, Nietzsche e Foucault, também se preocuparam com o significado da linguagem. Mas ainda temos também historiadores, sociólogos, antropólogos e demais pesquisadores e cientistas que, cada um a seu modo, ou dentro da sua perspectiva de investigação, buscam entender o que é a expressão humana pela palavra. Isto sem falar de outras áreas como a psicologia e a medicina, com suas especificidades e especializações, como a psiquiatria forense, a psicanálise e a sexologia. Um estudioso destas áreas, por exemplo, é capaz de “ler” nas obras (gestos, palavras, atitudes) de uma pessoa justamente aquilo o que ela deseja esconder, como nos chamados “atos falhos”, nos quais as pessoas “denunciam” inconscientemente seus desejos e anseios que escondem (ou tentam), principalmente de si mesmas.

Quando nos expressamos, sim, expressamos algo. Mas também escondemos. Há sempre algo que fica oculto, escondido ou obtuso. Por vezes, propositadamente. Noutras, apenas conscientemente. Mas ainda, em outras, dissimuladamente. De modo tal que nem mesmo nós nos damos conta. Como petardos que, uma vez deflagrados, não voltam ao seu cano original. E farão feridas. E há feridas não se curam. E há feridas que são fatais. E (existe sempre a possibilidade de muitos “Es”)… Quem será o ferido?

Armas também podem ser usadas pelo autor dos disparos contra si mesmo. Ou não.

Conscientemente. Ou não. Palavras podem ser petardos ou podem ser pétalas suaves de flores, mas estas também podem ser petardos dissimulados, travestidos de suavidade e aroma convidativamente gentil.

Rebeldia e ódio, assim, podem não ser contra algo externo, mas reações de/a algo interno que não esteja sendo bem aceito pelo próprio individuo. Por outro lado, mesmo perigosas, as palavras podem também ser libertadoras. Ou libertarias. Grades não lhe caem bem. São o meio de extravazamento de nossas angustias, medos, dores, necessidades, prazeres e amores. Se há depressões, obscuridades queixas e sombras, elas podem expô-las e/ou ser o seu grito por socorro. Como esperanças, feito portas onde bater para podermos sair de nós mesmos.

Palavras são, enfim. Algo bom ou ruim. Mas o que é o bom? O que é o ruim?

Palavras trazem benefícios, portanto, mas também custam algo ao dono, ao exporem uma parte dele. Palavras são, então, caríssimas. Cada palavra tem seu peso, é pesada. E seu custo é alto. A palavra não é BARATA. Ou é?

Esdras M Junior.
Filosofo e professor, entre outras “coisas”.

Troco Poesia Por Dinamite
Barata Cichetto
Poesia
Editor’A Barata Artesanal – 2014
224 Páginas

DEPOIMENTO

Ilustre Pensador: esse adjetivo é para muito poucos, mas esse é um cara muito especial. Um filósofo emblemático do nosso underground, Luiz Carlos Barata Cichetto. Pra quem não sabe o que é underground, vou lhes dizer... é tudo que é bom, porque não está corrompido com o sistema ao qual vivemos. E esse é o cara. E "teje" dito ( ponto final ).
Jack Santiago
Camburiu - SP
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