Resenha – Genecy Sobre Manifesto Sem Eira Nem Beira

Genecy Souza . 

Gosto de ler livros com temas variados de forma aleatória, raramente linear. Vou direto à página 150; depois, vou para a 46, para, em seguida, abrir a 212, e assim sucessivamente. Tudo fora de ordem. Tudo fora da ordem. Esse estranho hábito não é diferente com o mais recente cometimento do Luiz Carlos Giraçol Cichetto, esse ‘tijolo’ chamado Manifesto Sem Eira Nem Beira, feito, mais uma vez, no sistema Do It Yourself e nada mais, tecnologia adotada pelo autor desde que ele sacou que certas ‘ajudas’ poderiam castrar-lhe a liberdade de ser o que é, e passar para o papel o lhe dá na telha.

O Manifesto traz para o papel textos publicados sobretudo em seu blog baratacichetto.blogspot.com.br, infelizmente pouco visitado, daí a inevitabilidade do livro e a necessidade de levar a multiplicidade de temas ao conhecimento geral de novos leitores, além da certeza, talvez nem tanta, de um lugar na estante de leitores fieis, entre eles, este que escreve a presente resenha e, como tal, tem o prazer da repetição, da revisita e do reprazer de ler as matérias encaixadas no combate ao politicamente correto, essa praga que acomete a civilização ocidental desde os anos 1960, potencializada com advento da internet a uma velocidade nunca imaginada. Barata Cichetto teme que a correção política há de destruir a civilização ocidental. Eu também.

As crônicas reunidas no Manifesto são, sobretudo, os múltiplos pontos de vista do autor a respeito de um mundo cada vez mais complexo, repleto de falsas morais, falsos democratas (ou democratas falsos), falsas solidariedades carimbadas com hashtags, falsas passeatas financiadas com dinheiro público roubado (em defesa de privilégios verdadeiros); de intelectuais e artistas dependentes do Estado; de falsos rocks, falsos rebeldes sem causa, enfim… O autor se defende montado em seu cavalo de batalha de sempre: a poesia, que contempla o sexo inconvencional, sujo, lascivo, que coloca homens e mulheres em seus devidos lugares, entre quatro paredes ou em becos escuros.

Barata também se vale de testemunhos pessoais, de amigos e amigas atuais e passados, de lembranças de tragédias, e da ‘lembrança’ do futuro em 2058, ano em que completará 100 anos; de Ayn Rand, a célebre escritora que, como George Orwell e Aldous Huxley, entre outros, vaticinou o mundo dito moderno; do célebre álbum 2112, do Rush, que trouxe para o rock um futuro tenebroso. Tudo isso a goladas de café, baforadas de cigarro e noites de insônia.

Assim vejo — e leio — o Manifesto Sem Eira Nem Beira. O entendimento não pode ser outro. Embora extenso, principalmente por se tratar de uma obra realmente independente, nele nada se perde; quase tudo se acha.

Tenha o seu.

Genecy Souza é um colecionador de livros, comerciário e mora em Manaus, AM

Manifesto Sem Eira Nem Beira
Barata Cichetto
Crônicas e Ensaios
Editor’A Barata Artesanal – 2016
416 Páginas

DEPOIMENTO

Um soldado valioso nessa guerra que é tentar fazer arte & cultura num país onde a difusão cultural mainstream está completamente dominada por forças contrárias aos seus/nossos propósitos nobres. - Facebook - 13/08/2014
Luiz Domingues
São Paulo - SP
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