Resenha – Um Jorro de Lascivos Prazeres Secretos

Genecy Souza . 

Eu não conheço Olavo Villa Couto, nunca o vi mais magro. Na verdade, desconfio que são poucos os que o conhecem de perto. Embora corra o risco de errar, presumo que o autor não é muito chegado à luz – real ou figurada  –. A palavra luz denota clareza, limpeza, verdade, espírito aberto, honestidade. Bons modos, enfim. Quando exposto, ele até pode fingir alguma qualidade, exposta na vitrine da loja das hipocrisias, onde cada um compra o objeto que melhor lhe apraz.

Imagino o autor como aquele senhor de meia-idade com uma vida medíocre e sem troféus. Olavo é notado, mas nunca visto. Ele acha melhor assim. Não há disfarce melhor do que o anonimato. Não há roupa mais perfeita.

Em “Jorro”, esse forte compilado de aventuras e visões de mundo onde é impossível distinguir um fato fictício do real, Olavo Villa Couto mostra-se (fora a luz) como de fato é: lascivo, cínico, pérfido, sádico, sexista, cético. Para ele, o mundo tem cores predominantemente carregadas, escuras, lúgubres. E, como não poderia deixar de ser, o autor-personagem necessita de um corpo feminino para que sua figura tenha alguma importância, e suas vontades dignas do Marquês de Sade dêem algum sentido à sua (porca) vida. Olavo desafia a razão, a ética e até a fé. Ele é o dono dos próprios descaminhos.

Olavo Villa Couto, apesar do esgoto moral no qual vive, é um intelectual, filósofo, contista e analisa o mundo e as pessoas sem nenhum verniz e nenhuma concessão. Ele vive de emoções baratas. Suas parceiras não são melhores que ele. Em certos momentos tem-se a impressão de que são uma coisa só, tal o grau de lascívia e ‘desamarras’ morais, que justificam(?) a intensa troca de fluídos corporais em jorros, saídos de vaginas, pênis, ânus, bocas, poros, glândulas lacrimais, enfim. Fica entendido que tudo é válido nessa troca. Quem sabe até haja algum amor, mas é difícil deduzir. Na verdade, o Jorro é um amarrado ‘contos de fodas’, se me permitem o trocadilho sacana.

Jorrar é botar para fora. Até a chuva é um jorro, só que vindo de cima, e significa mais do que água que cai do céu. Na verdade, antes de demonstrar algum esgar pelos relatos do autor, cabe cair na real e imaginar que talvez haja algum Olavo Villa Couto dentro de cada um dos seres normais.

Genecy Souza é um colecionador de livros, comerciário e mora em Manaus, AM

Jorro
Autor:  Olavo Villa Couto
Poesia: Barata Cichetto
Peso: 0.26128 kg
Dimensões: 16 × 23 × 0,94 cm
Editora: UICLAP
Páginas: 160
Tamanho: 16 x 23 cm
Comprar:https://loja.uiclap.com/titulo/ua8491/  

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