Rockbitch: Sexo e Rock Debaixo da Saia da Rainha

A Rockbitch foi decerto uma das bandas mais chocantes e escandalosas da história do Rock. Tão chocante e escandalosa que terminou por pressão da própria Interpol Inglesa que não via com bons olhos, nem ouvia com bons ouvidos, literalmente as estripulias eróticas das inglesas no palco ou fora dele, bem debaixo da saia da Rainha.

Formada por um grupo de músicos do sexo feminino a partir de uma comunidade de sexo composta de muitas pessoas além dos integrantes da banda. Nessa comunidade, que tinha apenas três membros do sexo masculino, todas as mulheres eram lésbicas ou bissexuais e não havia casais monogâmicos exclusivos. Baseada na França desde 1998 a comunidade era o sonho de Amanda de criar uma comuna feminista baseada no sistema matriarcal-tribal onde as mulheres podiam explorar a sua sexualidade e psique. A maior parte delas, incluindo a líder Amanda, era de expatriadas inglesas.

“Inicialmente a banda foi usada como órgão de recrutamento para essa comunidade, até que um número expressivo foi alcançado. Em seguida, começou verdadeiramente o processo interno, particular da descoberta, crescimento e inspiração que levam à expressão pública externa que viria a se tornar a face esotérica desse estilo de vida”, afirma Amanda. Segundo perspectiva própria, a Rockbitch expressava um estilo de vida pagão, pró-sexo, utópico-feminista, um míssil retórico que usa da musica como interface de um ritual de sexo. “Besteira pretensiosa, plano de marketing, ou a verdade?”, Pergunta a fundadora e lider da banda, a baixista Amanda, autodenominada “The Bitch”, ou seja “A Cadela”.

A Rockbitch foi formada em 1992 com o nome de Red Abyss pela baixista Amanda. Ainda em 1992 lançaram um disco “Luci’s Love Child”. Mudaram o nome para Rockbitch quando o único integrante homem da banda foi substituído por Jo. Musicalmente, a banda sofre influencias diversas como o Jazz, o Funk e o Rock. A cantora Julie, por exemplo, afirmava ser fortemente influenciada por Janis Joplin. Em 2000, a guitarrista original, Tony, conhecida por “The Beast” sai e em seu lugar entra Alexandra (“The Babe”).

Os espetáculos da Rockbitch eram marcadas por performances eróticas explicitas, com as integrantes nuas ou seminuas fazendo sexo oral, urinando umas nas outras, enquanto a banda tocava um Rock frenético que misturava gêneros que iam do Rock mais fundamental ao Metal, passando pelo Punk.

Além das encenações durante os shows, elas criaram o “The Golden Condom” uma espécie de “Oscar do Sexo”, onde, em determinado ponto do show, convidavam alguns espectadores, homens ou mulheres, a subir no palco e praticar sexo com algumas das integrantes. Claro que com esse tipo de performance elas encontraram muitos problemas com as autoridades de inúmeros países, particularmente em sua terra natal, a Inglaterra, bem como na Alemanha, Noruega e outros países. Mas particularmente na Holanda, país com uma mentalidade extremamente avançada, o publico lhe era extremamente simpático e as autoridades não lhes causavam problemas.

Ativistas, os membros da banda emprestaram suas vozes para as questões feministas e sexuais e foram as vencedoras do prêmio anual no Sex Maniacs Ball fundada por Tuppy Owens, sendo que ícones como Annie Sprinkle e Betty Dodson expressaram abertamente sua admiração por sua política sexual, da sexualidade feminina aberta como uma parte saudável da natureza humana.

Apenas em 1999 foi gravado o primeiro e único disco de estúdio da Rockbitch: “Motor Driven Bimbo” pelo selo independente alemão Steamhammer. As gravações anteriores eram gravações caseiras ou feitas por pessoas das platéias onde se apresentavam. O disco saiu, mas elas também deixaram a gravadora, mesmo com o sucesso em vários países, como o Japão. Um segundo disco chamado “Psychic Attack” que destacaria a canção “I Wish I Were” escrita pela poeta americana Erzsebet Beck nunca foi lançado.

Após pressão contínua da Interpol Inglesa por seus temas e performances sexualmente fortes, a Rockbitch termina em 2002, sendo objeto do documentário “Anna in Wonderland” de 30 minutos da BBC no mesmo ano. Um outro, de uma hora, “The F-Word – This is Rockbitch”, foi transmitido no Canal 5 no Reino Unido em 2003.

Em 2005, todo o line-up do Rockbitch ressurge sob o nome de “MT-TV”. Mas era apenas um projeto musical, sem nenhum traço das performances sexuais do antigo Rockbitch, embora conservasse as teatralizações de palco. Depois de uma turnê pelo Reino Unido naquele ano, excursionaram aos EUA. Em 2006, Amanda e Jo formaram a banda Syren com a cantora e escritora Erin Bennett in 2006. Em Janeiro de 2012, a baterista Jo morre, vitima de câncer de mama. Extremamente abalada pela perda da amiga de longa data, Amanda decide encerrar sua contribuição a musica e passa a se concentrar em sua vida pessoal.

Em Abril de 2012, Erin lança um disco solo intitulado “Never Give Up The Fight” . A faixa é colocada em “download” e toda a renda auferida é destinada ao “Breast Cancer Care”.  Erin continua com a Syren reformulando a banda com novos músicos chamando a ex-Rockbitch Sex Magick Priestess, Suna Dasi para fazer os coros.

24/04/2012

Formações:

• Julie Worland: Vocal
• Luci: Guitarra
• Amanda Smith-Skinner: (“The Bitch”): Baixo
• Nikki: Piano, Flauta
• Joanne Heeley: Bateria
• ‘Babe’ (Alexandra): Guitarrra, Côros
• ‘Beast’ (Tony): Guitarra em “Motor Driven Bimbo”
• Chloe: Sex Magick Priestess
• Kali: Sex Magick Priestess
• Suna Dasi: Sex Magick Priestess

Discografia/Filmografia:

• Luci’s Love Child (como Red Abyss) (1992) (Eurock)
• Rockbitch Live In Amsterdam (1997) (Crystal Rock Syndicate)
• Bitchcraft (Concerto e Documentário – Vídeo – 1997) (Proibido no Japão e EUA)
• The Bitch O’Clock News (Reportagens e Video Clips, 1998) Feito por Fãs nos EUA e Japão
• Motor Driven Bimbo (1999) (Steamhammer)
• Psychic Attack (2002) (Não Lançado)
• Sex, Death and Magick (Concerto e Documentário – Vídeo, 2002)

Site Oficial: http://www.rockbitch.com

Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal do ano da Graça do nascimento de Bruce Dickinson, Madonna, Michael Jackson, Cazuza e Tim Burton, é poeta, romancista, ensaista e contista, além de produtor de eventos e artista plástico. Cresceu escutando Beatles, Black Sabbath, Rush e Pink Floyd. Participou da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos deixou de ser poeta e foi tentar ser homem, o que no entender de Bukowski é bem mais difícil. Trabalhou como office-boy, bancário e projetista de brinquedos. Apesar de ter escrito milhares de textos nunca ganhou um prêmio literário. Foi apaixonado por Janis Joplin, Grace Slick  e Patti Smith; casou quatro vezes e Atualmente procura pagar as contas trabalhando com criação de sites, edição e diagramação de livros e arte digital.

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